Jardim das Virtudes: O encanto escondido da cidade do Porto
O Jardim das Virtudes tem a particularidade de ser vertical
Foto: Joana Domingues

Jardim das Virtudes: O encanto escondido da cidade do Porto

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Existe um jardim vertical no Porto que passa despercebido a muitos dos habitantes. Fica a poucos metros do centro histórico e partilha com poucos lugares uma vista única sobre o rio Douro. É o Jardim das Virtudes, um encanto escondido na Invicta.

Situado nas traseiras do Palácio da Justiça, existe um jardim escondido e conhecido por poucos. Localizado no centro histórico do Porto, na rua de Azevedo de Albuquerque, o Jardim ou Horto das Virtudes é um dos encantos ocultos da cidade Invicta. Uma das particularidades deste jardim que o distingue dos outros é o facto de ser vertical, ou seja, desenvolver-se em socalcos ao longo da rua.

Com uma vista panorâmica para a Alfândega do Porto, o Jardim das Virtudes localiza-se no que antigamente era a Companhia Hortícula Portuense, que foi comprada pela Câmara Municipal do Porto e, em 1998, efetuou obras de recuperação.

Outrora, o jardim era conhecido pelas suas japoneiras e, entre outros segredos, neste local é possível encontar a maior Ginkgo Balboa de Portugal. Com cerca de 35 metros, está situada no ranking das maiores árvores da Europa e, em janeiro de 2005, foi classificada como árvore de interesse público pela Direção Geral das Florestas.

Espaço pouco aberto à comunidade

Para quem não conhece bem o Porto, o Jardim é um local escondido e que não é muito fácil de encontrar, nem de entrar. Marco Alves conhece bem a zona, pois vive perto do Parque das Virtudes. O morador nunca frequentou o jardim, mas afirma que o local é muito bonito e frequentado maioritariamente por jovens.

Maria Nunes, também moradora, admite que comprou a sua casa pela beleza da vista. Contudo, considera que "que este espaço devia estar mais aberto às pessoas e à comunidade". A moradora lamenta, ainda, o facto de terem removido a água do chafariz do jardim, pois o "fontanário é do tempo de D.Fernando", explica.

Para além dos moradores, há pessoas que também convivem todos os dias com o jardim, mas que só o vêem na paisagem. É o caso de José Marques, que, apesar de conhecer bem as ruas da zona onde trabalha há trinta anos, confirma que, em todo este tempo, nunca foi ao jardim uma única vez. "Sei que existe, mas não o conheço", confessa. Assim, um certo sentimento de indiferença parece ser o mais comum em relação ao jardim.

Já para Marlene Silva, empregada há 10 anos numa loja de materiais elétricos junto ao Passeio das Virtudes, é verdade que o jardim tem sido mais bem tratado nos últimos anos, mas "não basta estar cuidado para as pessoas lá irem". Segundo Marlene, falta divulgação para dar a conhecer este espaço "extremamente bonito".

Rua está transformada em "parque de estacionamento"

A somar à falta de divulgação, parece estar também a falta de civismo. Segundo Maria Nunes, antigamente o local era mais iluminado, mas os focos que davam para a muralha que fronteia o jardim foram sendo vandalizados. "Não imagina que lindo era chegarmos aqui à rua e ver isto tudo iluminado. Era, de facto, uma beleza", acrescenta.

Também a falta de acessibilidades é um problema.Existem duas entradas, mas a única que está aberta não está bem sinalizada e passa despercebida. "Há uma entrada por cima", diz Marlene Silva, mas "normalmente está fechada ou estão carros mal estacionados" que afetam a entrada no espaço, explica. De facto, a rua está transformada em parque de estacionamento, pois "as ruas que dão entrada para o parque são das poucas no Porto onde não se paga máquinas para estacionamento", adianta Marlene Silva.

Jardim é "vizinho" da Cordoaria, mas raramente recebe turistas

A diferença do Jardim das Virtudes é mais que notória relativamente ao da Cordoaria. Embora separados por poucos metros, a passagem pelo jardim da Cordoaria é obrigatória para quem visita o Porto.

Enquanto que, pelo espaço que ladeia a reitoria da Universidade do Porto, é comum ver turistas, foi possível encontrar uma turista no jardim vertical, mas, ao JPN, confessou que lá tinha chegado por engano. Sem deixar de elogiar a vista, admitiu estar ali apenas porque se perdeu ao tentar encontrar o Museu Nacional Soares dos Reis.

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