NEFUP: 25 anos em busca das tradições populares
Os cabeçudos animaram os poucos espectadores presentes.
Foto: Ana Margarida Pinto

NEFUP: 25 anos em busca das tradições populares

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Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto celebrou, este sábado, 25 anos de existência. O grupo reúne antigos estudantes da UP, mas "há cada vez mais jovens".

Os 25 anos do Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto (NEFUP) foram comemorados, este sábado, nos jardins do Palácio de Cristal. Zés Pereiras e cabeçudos, lavadeiras e o Grupo de Maçadeiras do Orfeão, tomaram conta dos jardins do Palácio de Cristal e foram os protagonistas da festa.

"Esta comemoração é uma espécie de resumo dos 25 anos, são bocadinhos retirados de todos os espectáculos que já fizemos e é uma espécie de uma colagem, encenada teatralmente, como todos os espectáculos que fazemos são, dos 25 anos de trabalho", disse ao JPN Armando Dourado, encenador do núcleo há 15 anos.

O trabalho desenvolvido pelo NEFUP parte de uma busca e recolha das tradições populares: "Percorremos a zona Norte e Centro do país sempre à procura das tradições. Quando queremos construir espectáculos, queremos ter a certeza que essas tradições ainda existem e nós próprios ir buscá-las", adianta o encenador, para quem anos de trabalho, foram "árduos e muito duros, mas também muito interessantes"

Para Armando Dourado, o reconhecimento do núcleo "é maior fora da Universidade do Porto (UP)", mas "nos últimos dois anos tem-se feito um trabalho mais próximo da Universidade e há tido um apoio mais directo da Reitoria para esse efeito".

De portas abertas para os jovens

Há 13 anos atrás, Helena Queirós estudava na Faculdade de Letras e fazia parte do Orfeão Universitário do Porto (OUP), mas "o gosto pela etnografia e o facto de se fazer um trabalho mais sério no NEFUP do que no Orfeão" fê-la juntar-se ao núcleo.

"Durante um tempo eu fui a mais nova do núcleo, mas neste momento estão a aparecer muito jovens. Estão a aparecer muitos antigos orfeonistas e mesmo orfeonistas que já começam a integrar e a ter muito mais respeito. Neste momento até temos um proponente brasileiro que está a achar o núcleo muito interessante", afirma Helena Queirós.

Entre os poucos espectadores, encontra-se Zulmira Pinto. O marido pertence ao NEFUP há "quatro ou cinco anos". Reformado, juntou-se ao núcleo para aprender a tocar cavaquinho e acabou por ficar. Os ensaios ocupam-lhe todas as tardes de sábado, mas Zulmira apoia "com orgulho". Para o Centro de Convívio a que pertencem, o marido levou a experiência do núcleo e "já tem um grupo de cavaquinho".

A tarde de festejos acabou com a actuação das Maçadeiras do Orfeão. Luciana Costa é membro do grupo e considera "uma honra ser convidado por alguém que conhece tantos das nossas tradições, folclore e etnografia". A jovem lembra também que o NEFUP pode ser o futuro de alguns orfeonistas, especialmente das Maçadeiras: "há já colegas minhas a participar nos ensaios do núcleo e eles estão sempre de portas abertas para nós".

Quanto ao futuro do NEFUP, o encenador promete "muito mais anos de trabalho" e espera que as pessoas que se seguem "continuem o nosso trabalho com a mesma qualidade e o mesmo rigor".

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