Efeitos do consumo de haxixe
São poucas as pessoas que procuram ajuda para deixar o consumo de derivados da cannabis
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Efeitos do consumo de haxixe

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O consumo continuado de cannabis pode provocar, no longo prazo, o isolamento e a depressão. No curto prazo, diminui reflexos e a capacidade de condução.

Apesar de ser uma droga leve, a “cannabis” (a planta que dá origem ao haxixe) não deixa de ser uma droga e provoca, para além da alteração do estado de consciência, vários efeitos secundários prejudiciais, que variam em função das doses, da potência da cannabis utilizada, da maneira como é fumada, do estado de ânimo e das experiências anteriores com esta droga.

Sintomas a curto prazo

Sintomas e sinais físicos: aumento da frequência cardíaca. Aumento da pressão arterial sistólica quando se está deitado e a sua diminuição quando se está de pé. Congestão dos vasos conjuntivais (olhos vermelhos) e dilatação dos brônquios, diminuição da pressão intra-ocular, foto-fobia, tosse, diminuição do lacrimejo.

Sintomas psíquicos: euforia, que aparece minutos depois do consumo. Sonolência. Os pensamentos fragmentam-se e podem surgir ideias paranóicas. Intensificação da consciência sensorial, maior sensibilidade aos estímulos externos. Instabilidade no andar. Alteração da capacidade para a realização de tarefas que requeiram operações múltiplas e variadas, juntando-se a isto reacções mais lentas e um défice na aptidão motora, que persistem até 12 horas depois do consumo. Isto provoca uma considerável interferência na capacidade de condução de veículos e outras máquinas.

Efeitos a longo prazo

Efeitos físicos: nos fumadores produz bronquite e asma. O risco de contrair cancro do pulmão é maior, devido ao fumo ser inalado de uma forma mais profunda. Os filhos das mulheres consumidoras crónicas podem apresentar problemas de comportamento. Produz alterações na resposta imunológica, apesar da sua importância clínica ser desconhecida.

Efeitos psíquicos: nos fumadores crónicos, o consumo pode provocar um empobrecimento da personalidade (apatia, deterioração dos hábitos pessoais, isolamento, passividade e tendência para a distracção). Esta situação é semelhante à dos consumidores crónicos de outras drogas depressoras. Alguns autores denominaram-na como "síndrome amotivacional", mas hoje em dia, devido à falta de especificidade nas alterações que descreve, este termo caiu em desuso.

Dependência

Provoca uma síndrome de abstinência leve (ansiedade, irritação, transpiração, tremores, dores musculares). A tolerância em relação aos efeitos da droga só ocorre nos grandes consumidores. Já que o seu mecanismo de acção no sistema nervoso se faz através de receptores específicos, não existe tolerância cruzada com nenhuma outra droga.

Tendo em conta o elevado número de pessoas que consomem derivados da cannabis, são muito poucas as que procuram ajuda para deixar o consumo, facto que indica o seu escasso poder de dependência.

O sítio do Instituto da Droga e da Toxicodepedência (IDT) na Internet disponibiliza toda a informação necessária sobre esta e outras drogas.

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Em resposta ao comentário de dozer Por dozer
18.05.2005 - 21:07

Havería muito mais coisas que gostaría de comentar mas vou-me cingir aos efeitos físicos e psiquicos baseando-me na minha experiência.

Consumo derivados de Canábis desde os meus 18 anos, há cerca de 12 anos. Durante este tempo tenho vindo a alterar os meus hábitos de consumo de maneira a reduzir os riscos para a minha saúde.

Deixei completamente o tabaco! Nunca fui grande fumador mas fumava sempre os meus charrinhos de haxixe marroquino misturado com tabaco. Comecei a aperceber-me que o tabaco, para além de ser muito prejudicial para os meus pulmões (esta mistura de tabaco e haxixe de má qualidade provocava-me uma expectoração horrivel com vários tons de castanho :P) estava a moldar os meus hábitos de consumo.

A nicotina é uma substância altamente adictiva e eu estava a aperceber-me disso.

Comecei a plantar Canábis em casa e, progressivamente, deixei completamente o tabaco. Hoje fumo erva pura, sem tabaco e sem os contaminantes do haxixe marroquino.

Como a erva é muito potente uso doses pequenas, menos de 0,5 gramas num charro e não tenho necessidade de o fumar todo para obter o efeito. Menos fumo, logo muito menos agressivo para os pulmões. Sinto perfeitamente o efeito bronco-dilatador. Se misturasse tabaco este efeito perdia-se. Tenho rinite crónica (não muito grave) e o fumo da erva desentope-me completamente as vias respiratórias.

Em alturas que fumo mais (férias, festas, etc.) posso ter alguma expectoração nos dias seguintes mas completamente limpa, sem os tons de castanho dos meus tempos de sabão (haxixe marroquino de muito má qualidade).

Mesmo assim pondero a possibilidade de adquirir um vaporizador. Vaporizando a erva ao invés de fumá-la é praticamente inofensivo para os pulmões.

Posso ser considerado um fumador crónico já que fumo praticamente todos os dias. Não fumo mais porque não posso :). Apenas fumo quando não tenho trabalho ou outras responsabilidades. Durante a semana fumo normalmente o meu charrinho à noite depois de jantar.

Quanto a "empobrecimento da personalidade (apatia, deterioração dos hábitos pessoais, isolamento, passividade e tendência para a distracção)", tudo isto já fazia parte da minha personalidade antes de fumar e, desde que tomei consciência do meu consumo e de tudo o que o rodeia (leis, efeitos na saúde, cultura, moralismos...) cada vez tenho mais vontade de saír do meu isolamento. Não é a Canábis que isola, deteriora os hábitos e torna apáticos os utilizadores! É a própria sociedade que impõe tudo isto aos consumidores! E enquanto os consumidores de Canábis continuarem a ser tratados e considerados como criminosos ou como doentinhos eles serão assim: isolados da sociedade, apáticos e sem qualquer motivação para participar numa sociedade que os renega!

Quando (não é SE, é QUANDO) a Canábis for normalizada e quando se tornar tão banal como um copo de vinho e quando os consumidores tiverem acesso a informação CORRECTA e CREDÍVEL sobre o que vão consumir, quando isto acontecer 95% dos problemas "provocados pela Canábis" irão desaparecer, incluindo o aumento da prevalência do consumo.

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Em resposta ao comentário de João Por João
20.05.2005 - 12:17

Excelente coméntario. Já o texto deixa muito a desejar com algumas informações falsas e escritas duma forma supostamente séria para "assustar".

Nenhum texto sobre Cannabis é correcto quando fala apenas de aspectos negativos, parece um excerto da perseguição americana dos anos 20/30 que se alastrou ao mundo, por interesses economicos e não de saúde.

O Cannabis tem mais coisas boas que más. Optar por apontar as más sem referir as boas é errado.

Em resposta ao comentário de Miguel Conde Coutinho Por Miguel Conde Coutinho
20.05.2005 - 12:54

Obrigado pelos comentários.

Sugiro que leiam o resto da reportagem, "Fumar charros é normal", disponível na secção Notícias Relacionadas, mesmo ao lado da fotografia deste texto.

Os meus cumprimentos.

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